sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Post duplo (07 e 08/10/2010)

Está na hora d´eu me esforçar um pouco mais e contar, no mesmo post, dois dias seguidos. Ontem e hoje. Assim, além do blog ser mais fiel à realidade, não vou precisar ficar queimando o que me resta de folículos capilares em busca de detalhes de lembranças. Comecemos com ontem, dia 07 de outubro.

Acordamos tarde. Ô sina! O despertador funcionou perfeitamente. Dona Mirela lembrou-se do botãozinho 'on-off', acertou o relógio, tudo perfeito. E na hora marcada, o danado tocou. Êêêê! Ficamos tão felizes e satisfeitos que, para comemorar o feito, viramos para o lado e dormimos novamente. Só acordamos de verdade com o berreiro da creche aqui do lado, lá pelas 11h da manhã. Até entender onde estávamos, o que deveríamos fazer, lembrar nossos nomes e essas coisas todas que fazemos todo dia ao acordar, já passava das doze. Sem problemas! Vamos almoçar, tomar um banho, juntar nossas coisas na mochilinha da Mi e sair em busca do NIE da da nossa italiana (ver post anterior). Estudamos nosso guia rápido de metro - Guia Essencial Barcelona, editora Ciranda Cultural. Recomendo! - enquanto almoçamos, escovamos nossos dentes e partimos.

Seguimos para o metro Diagonal, que sai perto da Avenida Diagonal, nosso ponto de partida. Subindo uma pequena parte da Rambla da Catalunya até esta avenida, deveríamos virar à esquerda, e depois a segunda à direita, na Carrer de Balmes, número 192. Fizemos isso. Subimos a Balmes durante 2 quarteirões, e finalmente e rapidamente encontramos os portões do prédio onde o governo disponibiliza o NIE para extrangeiros da comunidade da união. Detalhe: os portões estavam fechados. O horário de atendimento vai das 9h da manhã às 14h, e o relógio marcava pra lá das 4 da tarde... Frustração. Mas, atitude positiva! Amanhã voltaremos! Portanto, segundo nosso mais novo acordo turístico, escolhemos um passeio com a nossa cara: barato. Desceríamos a Rambla da Catalunya até a estátua em homenagem a Colombo. São cerca de 3km batendo perna Rambla abaixo. Não sei se expliquei anteriormente, mas as Ramblas são calçadões, onde turistas, moradores, artistas de rua, batedores de carteira e mendigos se encontram.

E lá fomos nós, descer a tal Rambla. Logo no começo da caminhada, uma estátua no mínimo curiosa. Uma girafa segurando a própria calda. Ou, como dizem alguns, uma Coca que quer ser Fanta. Já ouvi, inclusive, que esta estátua simpática deveria estar em Campinas, mas não vou dizer o nome da pessoa que disse essa maldade (né, João?). Continuando, nos deparamos com mesas de cafés cheias de clientes sorvendo xícaras cheias ou almoçando lanches de jamon y queso. O movimento, neste trecho, ainda é bastante agradável. Algumas pessoas, com suas bicicletas alugadas, passam por nós enquanto aproveitamos a vista. Principalmente das ruas que cruzam a Rambla. Longas e largas, proporcionam uma visão clara da extensão desta cidade, que vai muito além de suas obras. É quando nos damos conta de que, apesar do turismo, Barcelona vive.

Estamos nos aproximando da Plaça de Catalunya. Pessoas aparecem do nada, ora vindas dos metros, ora desembarcando de ônibus de turismo. Já na Plaça, sacamos nossa câmera e tiramos algumas fotos. O que mais me chama a atenção é o número de pombos neste local, e a ausência quase total de cocôs de pombo. Mas estamos longe do nosso objetivo de hoje, portanto seguimos em frente, e descemos La Rambla, provavelmente o principal calçadão daqui. No primeiro trecho, muitos turistas, todos facinados por artistas de rua que se comprimem e se esforçam para fazer... nada. Sim. Nada. São aquelas estátuas humanas. Artistas pintados de dragão, diabo, Marilyn Monroe, bebê, Yoda, todos ali, parados, fazendo nada conjuntamente. Alguns possuem artifícios interessantes. Yoda, por exemplo, parece flutuar. Marilyn joga beijos para a plateia, enquanto sua saia voa ao vento. Vimos também dois artistas trabalhando juntos. Um vestido de índio dourado, o outro de guerreiro medieval negro, e, entre eles, uma cadeira e um capacete viking. Apesar da cena ser historicamente errada, os turistas, principalmente os homens mais velhos - com suas bermudas puxadas, com vontade, acima das barrigas salientes, enquanto o cavalo divide os ovos, e combinando 'perfeitamente' com a camisa estampada -, se estapeiam para ver quem sentará primeiro na tal cadeira, usando o tal capacete. Enquanto isso, as suas distintas e respectivas senhoras disparam flashes de suas câmeras fotográficas, não para registrar o momento, mas para cobrir seus rostos com a máquina, tamanho o vexame. Os dois artistas, depois de tudo isso, solicitam gentilmente uma caixinha. E vou dizer uma coisa. Esse pessoal ganha bem pacas. Bem demais, aliás, para fazer 'nada'.

Do lado direito, de repente, aparece um mercado gigantesco, chamado La Boqueria. Passeamos muito por lá. Vimos desde frutas e sucos de dar água na boca até pedaços de vaca e cabra (ou bode) de virar o estômago. A parte de frutos do mar também impressionou. Lagostas, carangueijos, mariscos de uma variedade incrível. Um dia voltaremos com mais tempo e mais cedo, e então descrevo melhor este lugar.

Logo a seguir, uma parte não muito bacana da Rambla. O som diz tudo. Uma mistura de miado de gato com choro de criança invade o ar. É o mesmo som ouvido e odiado na 25 de Março, em São Paulo. São paquistaneses, que andam pra cima e pra baixo, fazendo sons com um negocinho de nada, feito sei lá de quê - pra mim, parece um prepúcio... -, chamando a atenção dos pedestres. Quando anoitece, eles jogam para o alto um brinquedinho que possui hélices de helicóptero e um briho azul. Elas sobem rapidamente e descem rodando, flutuando, sobre nossas cabeças. E lá embaixo, o vendedor 'disso', com o prepúcio na boca, fazendo 'uéééééu, uéééééu'. Irritante. Vamos seguir em frente.

Finalmente, após toda a confusão, o oásis da Rambla. Já estamos perto do mar, e agora, os artistas que vemos nos cantos do calçadão são pintores e desenhistas. Menos turistas e muito mais arte. Alguns pintores são ruins, ou muito estilosos. Mas cerca de meia dúzia são impressionantes. Principalmente um desenhista que trabalha reproduzindo fotos com o uso do grafite - não spray, grafite mesmo. Que trabalho, que dom... O desenho parecia uma foto. Incrível. Saímos um pouco da Rambla para comprar um refresco, e aproveitamos o desvio para visitar o Museu de Cera. Não entramos, porque achamos caro para nosso orçamento apertado. Mas, futuramente, após encontrarmos algum trabalho, voltaremos.

Agora falta pouco. Ao longe, vemos o monumento em homenagem à Colombo. Lindo, alto e solitário. Lá está Colombo, apontando a direção da Nova Terra. É impossível não fazer, na cabeça, uma volta às aulas de história, lembrar tudo o que nos foi ensinado, e perceber que você está ali, onde tudo começou. Tive vontade de estudar mais a fundo esta parte das descobertas marítimas, das viagens, das dificuldades.

Descobrimos que a Rambla não termina no monumento. Ela segue um pouco além, até um zona portuária. Centenas ou milhares de barcos ali, estacionados de um lado da passarela, enquanto do outro lado gaivotas disputam seu pedaço dos pães e outros alimentos atirados pelos turistas. No fim dessa passarela de madeira, um centro de compras. Inclusive, segundo história que ouvi aqui, este é o único estabelecimento comercial que funciona de domingo. Aqui em Barcelona, as lojas de centros comerciais não podem abrir aos domingos, e esse shopping não respeitou a regra. Indagado por autoridades sobre isso, o administrador do shopping respondeu: 'Esta lei é de Barcelona. Meu shopping está sobre o Mar Mediterrâneo, que não pertence à Barcelona. Portanto, abriremos aos domingos.' História real? Não sei, mas é legal.

Passeamos no shopping, o Maremagnum, vimos algumas lojas muito boas e baratas. Saímos por volta das 7h da noite, mas desta vez pegamos o Metro. Descer 3km de Rambla, todo santo ajuda. Mas subir tudo isso de volta? Só o Metro ajuda!

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Descansados da aventura de ontem, hoje conseguimos levantar um pouco mais cedo. Lá pelas 10h30. Nos arrumamos rapidamente e refizemos o caminho de ontem até o endereço para solicitação do NIE da Mi. Lá estávamos faltando vinte minutos para 13h. Portanto dentro do horário de atendimento ao público. Os portões abertos, que maravilha. Agora vai! Fomos à mesa da recepcionista, uma senhora muito simpática (não) e disposta a ajudar (não!) quem precisasse de informação. Mostramos a papelada. Ela falou em castelhano uma porção de coisas, e nos deu 2 formulários para preenchimento. A única coisa que entendemos do falatório foi "Já fechamos." Sim. Parece que eles distribuem senhas em número limitado. Portanto, fomos novamente em vão. Temos é que chegar cedo, bem cedo, com o formulário preenchido, e torcer pra ter senha pra gente. Que legal! De qualquer forma, não vamos desanimar, minha gente! Quem sai na chuva...? Pois é. Tiramos fotocópias do cv da Mi e fomos ao centro comercial Diagonal Mar para distribui-los. Rodamos o lugar, achamos lojas bacanas que procuravam funcionários, deixamos o cv da Mi, almoçamos, deixamos mais alguns, visitamos algumas lojas. Inclusive comprei um Rubik Cube em miniatura, e já comecei a brincar com ele enquanto fuçávamos vitrines de lojas e quiosques. Andamos muito.

Resolvemos sair de lá em direção ao mar. Havia um mirante perto do centro, mas um pouco longe da praia. Fomos lá e vimos, ao longe, o mediterrâneo, com uma incrível divisão de cores. Perto do continente, um verde claro, e, dividido por barreira invisível aos olhos, o resto da imensidão do mar azul escuro. Deixamos nossos corpos descansarem um pouco em frente à maresia, curtindo aquela vista privilegiada. Voltamos até a entrada do Diagonal Mar e pegamos um TRAM até nossa casa.

Descemos num ponto logo ao lado de um parc que é nosso vizinho, mas vizinho mesmo, e mesmo assim nunca visitamos. Pois, devido ao acordo, fomos 'forçados' a conhecê-lo. É o Parc de la Ciutadella. Várias construções antigas e histórias interessantes cercam este lugar, mas como não quero resumir tudo num post só, hoje vou dar mais atenção à Font Monumental. Bom, o nome diz tudo, e as fotos contam o resto, e provam que não há nome melhor para esta obra de arte.

O mamute foi montado em tamanho natural, em 1907. Demais!

Aí, cansados pacas, voltamos para casa, para fazermos planos. Não sobre nossas vidas, mas sobre o amanhã. Porque aqui, em Barcelona, é assim. O próximo passo é sempre o amanhã.

Estamos bem. Bem cansados e bem bem também. Amamos vocês.

Façam um acordo com alguma companhia aérea e comprem todos juntos as passagens. O desconto vai valer a viagem. Senão, aluguem uma van e pé na estrada!

Beijos

Nando (e Mi lendo. Ela fica linda lendo...)

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Empadronados (06/10/2010)

Hoje fomos empadronados. Fomos numa sub-prefeitura de bairro lá no centro, perto do metro Jaume I. Levamos o contrato do apartamento novo, fomos atendidos rapidamente e depois de algumas papeladas e assinaturas, estávamos empadronados. Agora podemos ir atrás da documentação da Mi. A permissão para a Mi ficar, trabalhar e residir em Barcelona é bem mais fácil que a minha, pois ela é cidadã da união europeia. Portanto, depois do empadronamento e de um rápido almoço, fomos para o escritório indicado pelo pessoal da sub-prefeitura.

Só para constar nos autos, eu e Mi estávamos andando na praça, uma praça enorme, indo almoçar, quando vi uma senhora de mãos dadas com a filha pequena, de uns 10 anos mais ou menos. Meio gordinha, ficava virando a cabeça de um lado pro outro, como se a própria fosse um chocalho. Eu vi aquelas duas vindo em nossa direção. Alás, em minha direção, mas mais à minha direita. Quando elas estavam quase nos ultrapassando, a menina mudou de curso, feito um cometa, e me deu um encontrão em cheio. Aquela cabeça em rotação acertou o fim da minha caixa toráxica, acertou a ponta do meu diafragma e fez minha pleura gemer. Só ouvi a mãe berrando com a menina. Aquela cabecinha gorda pareceu um soquinho direto no fígado, sabe, de mão fechada? Impressionante como atraio isso. Criança louca, rodinha de carrinho de supermercado... Continuando.

Decidimos ir a pé (eu não. Mi.), e lá fomos nós, até o Arco do Triunfo. De lá, bastava subir o Passeig de Sant Joan até o número 189. Moleza! Moleza? Hã... Uma coisa que aqui difere do Brasil é que a numeração dos quarteirões são, de um lado, ímpares, e do outro, pares. "Mas no Brasil é assim também!!!" Caaaaalma, querido leitor, não terminei o raciocínio. Então, lados ímpar e par. Mas no Brasil, dependendo da rua, os números pulam as dezenas, ou centenas, e as vezes até voltam. Eu morava numa casa assim, número 1960, em frente ao número 2045, ao lado do 1940. É assim que estou acostumado, então 189 vai ser moleza, certo? Errado. Primeiro prédio que passamos, número 1. Segundo prédio que passamos, número 3. Aqui é assim, os números são em sequência, e os prédios são largos pacas. Quando passamos pelo prédio número 55, falei pra Mi: 'Mi.55, Mi. A gente vai no 189, Mi!' Não que ela fosse fazer alguma coisa a
respeito, mas o fato dela ter escolhido ir a pé fez dela a responsávelpelo meu sofrer. De qualquer forma, seguimos até alcançar, finalmente, o número 189, que ficava ao fim da avenida. Foram cerca de 3km de subida debaixo de sol. Tudo pra chegar lá e descobrir que não é mais lá...

Pegamos o endereço correto e voltamos para casa de metro. Enquanto voltávamos, a Mi teve uma grande ideia. Talvez a melhor das ideias. Nós combinamos que toda vez que precisarmos sair de casa para fazer alguma coisa, vamos aproveitar para fazer algum passeio turístico. Ótima ideia, não?

Então é isso. Estamos bem! Amamos vocês.

Beijos

Nando (e Mi em chamada de vídeo com minha Sogrinha no MSN - oooi sogrinha!!!)

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

!Que Guapos! (05/10/2010)

Hoje, não tenho muito o que escrever. Justamente por isso vou aproveitar e deixar algumas explicações. Mas primeiro, nosso dia.

Acordamos tarde, porque apesar de termos comprado um alarme, desses de menos de 1 euro, nossa querida Mirelinha não moveu a chavinha 'on-off' do reloginho. Resultado: acordamos tarde. Mas eu amo mesmo assim, viu Mi. Bom. Na maior parte do dia, trabalhamos em nossos currículos. Em português, claro, para que Fernanda pudesse traduzi-los mais tarde. A única coisa diferente aconteceu no jantar. A Fernanda e o Henrique marcaram um jantar com todo o pessoal do trabalho deles. Fomos convidados também, e aceitamos. Não só por gostarmos dos dois, mas porque a reunião foi marcada num lugarzinho que não dá pra explicar muito bem. Fica perto do Raval, antigo bairro da Fernanda. Entra beco, sai beco, novo beco, e lá está o Guixot. São sandubas e crepes deliciosos, sobremesas de dar água na boca, atendimento bem bacana. Nos arrumamos pela primeira vez aqui, com nossas melhores roupas - as menos amarrotadas e sem manchas de tinta branca - e ficamos aguardando na sala. Lauri, nossa companheira de casa colombiana passou pela gente, abriu um sorriso e disse: '!Nossa, que guapos!'. Ficamos felizes, agradecemos e nos apertamos.

Fomos a pé para o lugar. E foi basicamente isso. Tudo muito bom, comida boa, pessoas muito legais, diferentes, enfim. Acho que um típico jantar catalão. Voltmos e dormimos e fim.

Bom, agora, algumas explicações.

Sim, sou corinthiano. Sim, tenho (e uso) a camisa do Palmeiras. Eu sou corinthiano desde que me entendo por gente. Toda minha família é, com exceção do meu pai, que sempre foi Palmeirense. Há alguns anos, quando eu e Mi nos mudamos para São Paulo, alugamos um apartamento perto do Palestra Itália - para quem não conhece, é o clube social do Palmeiras. Ficamos sócios, e muitas lembranças da minha infância apareceram. Quando minha família ia à São Paulo passar o fim de semana, visitando meus avós, quase sempre meu tio nos levava para o Palestra. Quando pequeno eu também era sócio do clube. Nos divertíamos muito lá. Inclusive havia um trampolim na piscina, e meu sonho era pular lá de cima, da plataforma dos 10 metros. Acabei realizando meu sonho em parte. Pulei do trampolim mais baixo, mas pulei. De qualquer forma, a proximidade da nossa casa com o clube fez com que fossemos a um jogo de futebol. Palmeiras e alguém. Acho que era Copa do Brasil, sei lá. Enfim, o Palmeiras ganhou, e no dia seguinte eu estava rouco. Havia gritado mais que muito torcedor da Mancha. Aí que eu me toquei. Eu sou torcedor de futebol. Porque tenho que escolher um lado? Quer dizer, se eu gosto de macarrão, vou ter que comer macarrão o resto da vida? Vou tirar sarro de quem come arroz, por exemplo? Besteira! Por que não torcer para Corinthians e Palmeiras? Então beleza, foi o que fiz. Ia aos jogos do Palmeiras, por ser mais perto de casa, e torcia para o Corinthians pela TV (e duas vezes no Pacaembú, uma com Mi e outra com Bia, minha filha que eu amo). Então, essa é a explicação. Não virei casaca, não mudei de lado nem traí minha bandeira. Simplesmente saí do armário e me assumi: sou torcedor de futebol. Alias, aqui já estou torcendo para o Barça desde criancinha!

A abóbada. Sempre que visitava, no Brasil, nosso futuro endereço através do Google Maps, via uma abóbada.E que diabo de abóbada é essa? Perguntei e ninguém soube me responder. Até a primeira manhã aqui. Acordamos com berros, choros e gritos. A abóbada está localizada no pátio de uma creche. Ao menos parece uma creche. Funciona apenas na parte da manhã, mas o mais bacana é que nos faz lembrar de nossas sobrinhas Kassabinhas, e de nosso afilhadão, Rodrigão... Para quem quer conhecê-los, o blog deles é: http://tdp-trioparadadura.blogspot.com - adoro esse blog! No primeiro dia, vi um rapazinho da idade do Rodrigão, uns 6 meses, que foi colocado dentro de uma cesta de supermercado! E no dia seguinte, eu e Mi ficamos observando 'um capeta em forma de guri', que batia no coleguinha, e rolava sobre ele, e mordia... A Mi até parou de ver, porque a 'tia' não viu nada disso. E todo dia nos levantamos ao som gostoso de um monte de crianças aprontando.

Isso ninguém sabia, mas descobri. Nosso quarto tem a vista de um beco. O beco chama-se Carrer dels Petons. Eu pensei que a tradução seria "Rua dos Peitões", mas o correto é "Rua dos Beijos". Romântico ou não? Quando descobrimos isso, eu e Mi homenagemos nossa vista com um beijinho.

Então é isso. Estamos bem.

Amamos vocês. Venham todos! É só o que nos falta.

Beijos

Nando (e Mi, linda, lendo)

ps.: de lambuja, foto da Mi perto no nosso vizinho, o Arc de Triomf.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Começo 2 (04/10/2010)

Ah, segunda-feira... Foi como nosso real começo aqui em Barcelona. Quarto arrumado, energia recarregada: vamos com tudo! Fomos logo cedo - nosso cedo significa 'quando nos levantamos', por conta do fuso - aos consulados Italiano e Brasileiro. Pegamos novamente nossa velha amiga linha amarela, e descemos perto da rua Mallorca. Aliás, na região de L´Eixample, as ruas são largas e os quarteirões, intermináveis. Fomos em direção ao Consulado Italiano. Chegando lá, falamos com um guardinha muito simpático. A Mi, em italiano, explicou nossa presença. O guarda fez uma pergunta. A Mi falou novamente a frase em italiano. O guarda parou, apoiou a caneta no queixo e mandou: 'Brasileiros?' Rimos muito, principalmente porque Mi disse 'Brasileira, parlando italiano e morando na Espanha!' Tenho certeza de que os pais da Mi, conhecidos também como meus sogros, sentiriam muito orgulho ao ver a filha falando Italiano. É a coisa mais linda! Então, depois de pegarmos todos os passos a seguir com o guarda, seguimos para a Avenida Diagonal, buscar o Consulado Brasileiro.

Lembra que eu disse que as ruas do L´Eixample são largas? Então imaginem a avenida! São cerca de 6 sinais de trânsito para um pedestre atravessar toda a extensão da avenida, pois existem as vias marginais, vias marginais para bicicletas, via principal, depois via principal novamente, depois via marginal novamente. E como as esquinas estão em diagonal com a avenida, temos também mais dois sinais de acesso de carros para as marginais da... Putz, me perdi. Mas o importante é que nos encontramos,e encontramos o Consulado. Essa sim é uma história cômica e trágica.

Logo em frente ao prédio, 5 ou 6 brasileiros panfletavam. Perguntaram se estávamos indo ao consulado. Já que a Mi tem cara de francesa (eu acho!) e eu tenho cara de terrorista árabe (todo mundo acha!), dissemos 'No, no, no', e escapamos. Subimos ao segundo andar, e o bafo que sentimos quando as portas do elevador se abriram indicava falha no ar condicionado. Entramos na sala, e quem está lá na tv? Ana Maria Brega e seu Periquito. Muita gente sentada, se abanando. Logo na entrada, uma placa gigantesca, do tamanho da mais alta torre da Sagrada Família, dizia: atendimento eletrônico. Retire sua senha e aguarde SENTADO seu número no painel. A palavra SENTADO estava em maiúsculas, assim mesmo. Fomos até o guichezinho retirar nosso número - número 80 - e, qual não foi minha surpresa ao ver uma patcha fila em frente à mesa da recepção. Então, funcionava assim. A pessoa ia lá, pegava a senha e... ficava na fila!? Mas como assim? Tinha mulher grávida, gente com filho pequeno, todo mundo na fila, esperando, se abanando. E logo ao lado, um monte de cadeiras vazias. Eu e Mi sentamos, bonitinhos, esperando nossa vez. Aí ouvimos um bip e o número mudava no painel. 72. E a próxima pessoa da fila se apresentava. E eu dizia 'Mi, vai dar merda isso, porque eu tirei minha senha e sentamos aqui, e o cara que tirou a senha seguinte está na fila...' E ouvimos outro bip. 73. Bip. 74. Bip. 75. E assim ia. E olhávamos toda aquela gente, e imaginávamos histórias. Bip. 76. Uma mulher com roupas apertadas, como se tivesse saído da máquina de secar. Bip. 77. Uma senhora que falava castelhano com seu filho pequeno, que estava só de fraldas - o filho, não a senhora. Bip. 78. O guardinha que postava um sorriso fixo, desses de quem está com a cabeça longe do trabalho (Bip.79) provavelmente numa praia. Quando percebemos que o número 79 havia sido atendido, ficamos de prontidão. Bip. 80. Dito e feito! O cara que chegou depois da gente se apresentou, dizendo 'Minha senha é a 81'. Eu, feito o Piriquito da Ana Maria, pousei no ombro do companheiro e disse 'Mas a minha senha É a 80.' Há! Fomos atendidos e saímos satisfeitos. Mas tristes com o retrato do brasil numa sala apertada de 10m²...

Descemos a Rambla de Catalunya, uma espécie de calçadão onde estão as lojas de marca e os cafés e atrações para turistas. Tudo muito lindo, um sol quente... Mas o dia estava começando apenas. Era hora do almoço. Nos esforçamos um pouco e fomos comprar nosso celular. Um celular espanhol! Pré-pago, claro. Da Vodafone, correspondente à Claro no Brasil. O número do celular tem 9 dígitos, muito difícil de lembrar. Depois disso fomos almoçar.

Mais tarde, após falarmos com a família pela internet - sim! a Telefônica instalou telefone e internet na manhã de segunda. Não estamos mais ilhados! -,fomos ao Carrefour, que fica num centro comercial de Glòries. Lojas incríveis, inclusive uma loja da Disney! C&A, Zara, Starbucks, etc etc. O Carrefour é gigantesco, e bastante diferente do brasileiro. Compramos muita coisa, cerca de 39 itens. A conta? 41 euros. É, pois é...

Voltamos de TRAM, uma mistura de ônibus com metrô com bondinho elétrico. O bom é que não é subterrâneo, então a gente vê bastante da paisagem de Barcelona, inclusive a silhueta da Sagrada Família durante o pôr do sol, que aqui, no outono\inverno acontece entre 7h30 e 8h da noite. Chegamos, descemos, andamos por toda entrada do Parc de la Ciutadella, e logo logo estamos em casa.

Chegamos, preparamos o jantar, recebemos a notícia de Henrique sobre o prédio ao lado, número 28. Foi moradia de Picasso. Bacana, não? Ajudamos a pintar mais um quarto, cansamos e dormimos. E esta foi nossa primeira segunda-feira - ou lunes - em Barcelona.

Estamos bem. Amamos vocês. Continuem comentando que adoramos! Se não der pra comentar no blog, comentem no Facebook que, pra gente, também vale.

Beijos

Nando (e Mi lendo o guia e sonhando com passeios e compras)

Parc Güell (03/10/2010)

Ahhh, domingão. Hoje tiramos o dia realmente para turistar um pouco. Estamos em Barcelona desde o dia 28, quase uma semana, e não conhecemos praticamente nada turístico! Então, decidimos ir ao Parc Güell. Êêêêê.

Antes, passamos em frente ao Museu do Picasso. Segundo a Fê, todos os museus daqui são gratuitos no primeiro domingo de cada mês. Talvez por isso que havia uma fila quilométrica em frente ao museu, que se estendia por entre as ruas estreitas e becos escuros da cidade velha. "Iremos depois, quando arrumarmos algum trabalho. Para não dependermos da entrada gratuita", disse Mirela, confiante. Eu concordei. Então, ao Parc.

Pegamos novamente nossa amiga L4 na Jaume I. Descemos em Joanic, subimos a rua... rua... Não guardei o nome da rua, mas me lembra Escolari, pois foi assim que me referi a ela o tempo todo. Subimos a Escolari até um ponto de ônibus. Não demorou muito, chegou o 116, ônibus de bairro, pequeno, aconchegante. Ele nos deixou em frente ao Parc. Fomos ver a loja onde a Fernanda trabalha (trabalhava) e o super onde o Henrique trabalha (trabalhava). Compramos água, um 'pan con jamon y queso' e fomos à entrada do Parc. E vimos isto:

A visão é deslumbrante. Mosaicos, paredes tortas... Bom, melhor deixar as fotos falarem por mim. Ah! E a Mi, tadinha, fica parecendo o Wally, porque tinha tanta gente lá que não dava tempo de posar. Eu ficava com a câmera pronta. Assim que ela aparecia no quadro, eu 'click'. E agora, sem mais delongas, as fotos.
Neste dia eu estava com minha camisa do Palmeiras. Sim, eu sou corinthiano, mas... Ah, história é longa, depois eu explico. Continuando, eu estava com minha camisa do Palmeiras, e de repente passaram 2 caras mais ou menos da nossa idade. O primeiro passou, mas continuou andando. O segundo, logo em seguida, falou 'Brasileiro?', e fiz um sinal positivo, e ele também. Nisso, o primeiro cara,já mais na frente, começou a gritar 'Timãããão, Timãããão'. Hehehe.

No próximo passeio que fizermos no Parc Güell, iremos com mais calma, e fotografaremos mais detalhes interessantes da arquitetura de Gaudí, além de contar melhor a história do Parc em si.

Beijos a todos!

Bia, estuda, menina!

Nando (e Mi, tirando o esmalte das unhas dos dedos dos pés)

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Palmeiras (01/10/2010)

Hoje acordamos cedo, pois dormimos no quarto de Fernanda e Henrique, ao lado deles. Jorge (fala-se Rrrrror-rre), amigo de Polita, e um faz-tudo profissional,
veio para pintar a salona e o corredor do lado esquerdo. Aproveitamos a mão de obra e pedimos para ele passar a segunda demão em nosso teto. Nosso quarto ficou
pronto. Corrigindo. A pintura do nosso quarto ficou pronta. Falta o piso, que vamos, de alguma forma, limpar. Mas talvez possamos dormir lá hoje.

Vesti minha camisa do Palmeiras e fomos com Polita comprar mais tintas, desta vez aqui na Princesa. Como é bom não ter medo de encontrar um corinthiano e apanhar!
E vice-versa! Falamos um pouco com o senhor que nos vendeu tudo, um cara engraçado. Aliás, engraçado aqui não é engraçado, e sim sujo. Isso porque graça é graxa.
Não sei como se escreve graça, mas esta é a fonética. Levamos nosso novo carrinho, que é uma mão na roda. Ele é laranja, com rodas brancas para off-road. Depois
posto fotos.

Voltamos e saímos novamente em direção ao metro do Arc del Triumf, aqui do lado. Aliás, o Arc del Triumf... Putz, de tirar o fôlego. Creio que foi nosso primeiro
monumento de Barcelona. Em frente. Pegamos o metro até a Plaça del Catalunya, principal praça turística daqui. Na chegada, paressíamos formigas, andando em corredores
abafados e baixos, mas muito bem sinalizados. Quando saímos, o desbunde. Ô cidade bonita. E ô trânsito caótico. Uma mistura de São Paulo e Índia. Muitos turistas.
Muitos muitos muitos turistas. Muitos e muitos e muitos e muitos e muitos turistas! E muitos ônibus de turistas. Muitas máquinas, muitos cabelos diferentes, roupas,
línguas, muito engraç... bacana!

Andamos pela avenida da Catedral até o prédio do El Corte Ingles, uma espécie de pai do Mappin. Pai porque tem uns 6 andares de lojas de departamento vendendo todo
tipo de coisa. E tem um em cada quarteirão, igualmente gigante. Almoçamos no MacDonalds daqui. Comida gostosa, com salada farta e carnes gordas. Voltamos as 15h30,
para encontrar Jorge (Rrrrrror-rre), que continuaria seu trabalho. Aqui é assim. Trabalhasse de manhã, a partir de 9 horas da manhã, mais ou menos. Depois tudo para
para o almoço. Tudo, menos as lojas turísticas, claro. O resto, para. Isso lá pelas 13h. Depois da siesta (ciesta?), o comércio retorna, lá pelas 15h, e vai longe,
até 19h, 20h. No máximo até 20h30, que é quando escurece. Isso porque estamos no Outono. No verão escurece depois das 21h. E o pessoal dorme tarde aqui. Uma, duas
da manhã. Não entramos no fuso ainda...

Jorge (Rrrrrror-rre) terminou o serviço, e o corredor ficou ótimo. Comemos uma pasta instantânea de 0,87 Euros. Ótima. E foi isso!

Beijos a todos.

Nando (e Mi preparando um café)

ps.: Hoje soubemos que a internet só chega no meio da semana que vem. Putz, não dá. Vou procurar uma Locutório amanhã!

Princesa (30/09/2010)

Hoje, dia 30, fizemos nosso primeiro passeio. Passeio, mas a trabalho. Fomos comprar mais tinta, lençóis, e outras coisas mais. Pegamos o metro com a Paulina,
que comecei a chamar de Polita, e Mi chama-a de Poli, para combinar com Lauri. Andamos pela Carrer de la Princesa, uma rua muito interessante, aqui do lado
de casa, e que usaremos bastante. Fomos até o metro Jaume I, pegamos a L4 amarela até o Diagonal Mar, um tipo de shopping. Muito legal, mas muito mesmo.
As coisas são baratas aqui. Ao menos as coisas básicas.

O mais legal vem agora: Polita precisava ir para sua casa, e eu e a Mi ficamos com a responsabilidade de levar nossas compras até o apartamento novo. Sozinhos!!!
Claro que topamos, nós precisamos aprender a nos virar! No aeroporto e nos aviões não tivemos problemas, pois eu sabia falar em inglês, e tudo se resolveu. Mas
em castelhano?? E as vezes em Catalão??? Simbora!

Primeiro, almoçamos. A atendente foi super simpática conosco. E paciente. Mas fizemos nosso pedido. E comemos, e dissemos tchau, gracias, e viemos para casa,
de metro, e depois pela carrer de la princesa. Sozinhos! Foi muito bom. Perdemos o medo, a ansiedade, e vimos que é possível a comunicação.

A Mi precisa desesperadamente de um secador de cabelos. Eu preciso desesperadamente do nosso quarto pronto. Vamos cuidar disso, e depois ambos precisaremos
desesperadamente de um emprego! Mas segunda farei minha primeira tentativa, então ainda estou tranquilo. Senão, já tem uma outra possibilidade para mim, e acho
que vou arriscar. É num restaurante Catalão. Não sei, acho que vou arriscar. Vou ver se o pessoal é bacana. Se sim, jóia. Se não, não!

Taïs, estamos sempre te ouvindo!

Beijos a todos.

Nando (e Mi fazendo um lanchinho)

Trabalheira (29/09/2010)

Dia 29 passamos o dia pintando. Uma greve geral parou a Espanha. Quer dizer, parou os espanhóis. Mas os imigrantes que possuem algum comércio continuaram abertos.
São coreanos, árabes, paquistaneses etc. Pintamos e pintamos e pintamos até nãom poder mais! Mas foi bom, pois conversamos bastante principalmente com o Henrique,
que está de viagem marcada para a semana que vem para a América Latina. Mas, sinceramente, pretendo não pintar mais nada por um bom tempo. A não ser que pague
muito bem.

Enfim, o dia passou voando, e a noite fomos comer pizza no bairro El Born, aqui ao lado, numa pizzaria de argentinos. Nós pedimos as pizzas (por fatias) e um refresco,
e sentamos do lado de fora com o pessoal. O pessoal era: Fernanda e Henrique, Paulina, Lauri, Marco - amigo italiano e companheiro de viagem de Henrique - e sua
namorada. Conversamos muito, rimos muito. Uma delícia.

Sim, conversamos muito! Eu estou, aos poucos, arriscando um castelhano-ainda-portunhol. Mas acerto muitas coisas, e quando erro sou corrigido educadamente por todos.
A Mi sente mais dificuldade, pois seu primeiro instinto é falar italiano. Mas ela está melhorando. E quando paramos e prestamos atenção, entendemos muito bem tudo.

Está sendo uma delícia! Só faltam vocês aqui...

Beijos a todos.

Nando (e Mi dormindo)

O apartamento (29/09/2010)

Começamos o dia seguinte, dia 29, atravessando o Raval, o bairro Gótico e a cidade antiga com nossas malas, que estavam no apartamento antigo. Barcelona é uma cidade
extremamente turística. Em 5 minutos de caminhada ouvimos umas 50 línguas. Por morarmos aqui nos sentimos menos turistas, mas mesmo assim contamos com a educação
e a boa vontade dos comerciantes. Alguns são muito educados, e outros, nada. Não há meio termo.

Entramos em nosso prédio, que para nós é antigo, mas aqui é considerado bem novo. Pela caixa de madeira com lotação de 4 pessoas ou 250kg - o que vier primeiro -
subimos até nosso apartamento. E que apartamento! Uns 150m² de área total. Vou tentar fazer um tour virtual descritivo. Vamos lá:

Abrimos a porta e temos uma pequena sala. Viramos à direita e vemos uma enorme sala de estar, que mais tarde será também uma sala de jantar. Nesta salona temos
3 janelas, uma à esquerda, com vista para a abóbada (falarei disso em breve), outra à direita, que não abre e tem os vidros pintados, e a última também à direita,
mas mais para frente, com vista para o interior do prédio. Dela também vemos o elevador. Seguimos em frente por um corredor. As portas ficam à direita. Primeiro,
uma pequena despensa. Depois a cozinha, depois uma área com a máquina de lavar roupa, e depois o banheiro. O banheiro, apesar de ser o único do apartamento,
é espaçoso, com uma banheira bem interessante. No fim do corredor, o quarto. Nosso quarto! É lindo, pequeno, mas o mais privado de todos. E como fica ao lado
do banheiro, podemos chamá-lo de suíte. Nossa vista é para um beco sem saída, com varal na janela. Durante toda a tarde o sol caminha por nossa parede amarela,
esquentando o ambiente. Pronto, este é o lado direito do apartamento. Vamos ao lado esquerdo.

Voltando à sala de entrada, logo ao lado temos o primeiro quarto do lado esquerdo. Nele mora Lauri, uma Colombiana que fala rápido e bastante. Ela é uma gracinha,
me lembra muito minhas primas Fernanda e Andréia. Tamém tem muita paciência conosco. Depois, novo corredor. Viramos à direita, e à esquerda outro quarto. Este
é o de Paulina, uma mexicana gente fina, que está sempre sorrindo. Depois também falo mais dela e de seus dreads. Continuando no corredor, terminamos em mais um quarto,
o quarto do elefante. Isso porque a figura de uma deusa hindu com cabeça de elefante está pintada na parede oposta à porta, e lá estão todas as nossas coisas, e lá
ficarão até o fim da mudança e pinturas. Entrando neste quarto, à esquerda, outra porta. Este é o quarto da Fernanda e do Henrique. O quarto deles fica ao lado
do quarto da Paulina, e ambos tem a vista para a rua. Existe uma porta que liga os quartos, mas ela ficar fechada.

É isso. Deu pra sacar? Desculpem a descrição longa, mas estou lendo 'O Diário de Anne Frank', e lembrei-me da descrição do Anexo Secreto.

Beijos a todos. Estamos bem!!

Nando (e Mi fazendo pátina na nossa parede amarela)

Continuando (28/09/2010)

Não me lembro onde parei. Estamos em plena mudança, e não temos internet e telefone. Portanto, vou escrevendo e guardando as histórias até que tudo volte ao normal,
e postarei o que escrever até então. Como alugamos um apartamento para todos - mais para frente conto quem são todos - e no dia 29 haveria uma greve geral
na Espanha, dia 28 era o dia para a mudança. Tudo da Fernanda e do Henrique tinha que sair do apartamento antigo e ir para o novo, e com apenas um pequeno caminhão
alugado. Bom.

Descemos no aeroporto de Barcelona, corremos para pegar nossas bagagens e saímos para encontrar a Fernanda. Não aproveitamos o freeshop, pois marcamos tudo em cima
da hora. Não faremos este erro novamente.

Fomos de aerobús até a cidade, e definitivamente não me sentia em outra cidade, ou país, ou continente. Tudo era similar a alguma coisa. No caminho para Barcelona,
vi um monte que me lembrou o Pico do Jaraguá. Chegando em Barcelona, parece que estamos no Aterro do Flamengo. E por aí vai. Fomos para a futura-ex-casa da Fernanda,
mas antes encontramos o Henrique no caminho. Chegamos no flat, Mirela e Fernanda se aprontaram e foram para a casa nova, para a limpeza. Eu e Henrique ficamos para
encaixotar e organizar a mudança. Aqui, quando alugamos um caminhão de mudança, alugamos apenas o caminhão, e não o serviço. Portanto, tivemos que carregar o caminhão
e depois descarregar o caminhão. Um trabalho que acabou com a gente. Ainda mais depois de 13h de viagem.

E para não cansar, também vou parar este post por aqui, e continuo no próximo.

Beijos a todos. Estamos bem!!

Nando (e Mi, limpando)